Célula-Tronco Hematopoiética (CTH)

O que é uma Célula-Tronco Hematopoiética (CTH)?

São células-tronco responsáveis pela manutenção da produção dos diversos tipos de células sanguíneas, como as hemácias, os granulócitos, os linfócitos, os monócitos e os megacariócitos (de onde se originam as plaquetas). Estas células são responsáveis pela produção de 3 milhões de células do sangue por segundo.

Em que tipo de terapia podemos utilizar as CTH?

As CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS são células eficientes para tratar mais de 80 tipos de doenças do SANGUE: leucemias, anemias malignas, linfomas, talassemia, entre outras.
Neoplasias
   • Leucemia mielóide aguda
   • Leucemia linfoblástica aguda
   • Leucemia mielóide crônica
   • Síndromes mielodisplásticas
   • Doenças mieloproliferativas
   • Linfoma não Hodgkin
   • Linfoma Hodkin
   • Leucemia linfocítica crônica
   • Mieloma múltiplo
   • Leucemia mielóide crônica juvenil
   • Neuroblastoma
   • Carcinoma renal
   • Câncer de ovário
   • Tumores de células germinativas
Outras doenças
   • Algumas doenças auto-imunes (como esclerose múltipla, lúpus)
   • Amiloidose
   • Anemia aplástica grave
   • Hemoglobinúria paroxística noturna
   • Anemia de fanconi
   • Anemia de Blanckfan-Diamond
   • Talassemia maior
   • Anemia falciforme
   • Imunodefisciência combinada grave (SCID)
   • Erros inatos do metabolismo

Quais as principais fontes de CTH?

Como é realizada a coleta das CTH?

Medula Óssea: Através de punção, aspira-se o conteúdo da medula. Pode ser realizado para pequenos volumes (10 ml) no esterno e para grandes (200 ml) na bacia. Procedimento não realizado pelo CCB.

Sangue Periférico: Utiliza-se um aparelho de leucoferese, que filtra o sangue e capta as CTH, quando estas são mobilizadas da medula óssea por meio de medicamento, separando-as em frasco apropriado. Procedimento não realizado pelo CCB.

Sangue de Cordão Umbilical: Após o nascimento, o cordão umbilical é seccionado próximo ao bebe. Este então é levado para os primeiros cuidados, enquanto um profissional treinado pelo CCB entra em campo e punciona a veia do cordão umbilical, retirando todo sangue nele contido e armazenando-o em bolsa própria, que acompanha o kit de coleta. Este procedimento é feito tanto em partos normais como em parto cesárea. Após a dequitação da placenta, fora do campo médico coletam-se mais alguns ml de sangue que ficam nos vasos que circundam a placenta.

Existe alguma diferença entre as CTH extraídas da medula óssea, sangue de cordão umbilical e sangue periférico?

O sangue de cordão umbilical é uma fonte alternativa de CTH. Ele proporciona CTH mais imaturas (mais jovens) do que o sangue periférico e a medula óssea. Além disso, as células do cordão umbilical são obtidas de forma indolor ao doador, não havendo a necessidade de utilização de medicamentos para a mobilização das células, não necessita de uma compatibilidade completa entre doador e receptor, apresenta menor risco de desenvolvimento da doença do enxerto versus hospedeiro, está disponível imediatamente quando necessário, e também por ser um material rotineiramente descartado durante o parto.  

Como é realizado o processamento das CTH?

Após a coleta, o sangue do cordão umbilical é enviado ao Laboratório de Criogenia do CCB onde será processado em um sistema fechado e automatizado (tecnologia SEPAX – Biosafe), que impede a contaminação do material e separa a fração de CTH do sangue em duas bolsas criogênicas de 50 ml cada, permitindo seu uso em dois momentos distintos, além de armazenar também duas amostras de 2 ml para uma futura expansão celular. 

Qual é o prazo para realizar o processamento das CTH após a coleta?

O CCB segue a Resolução RDC n° 56, 16 de dezembro de 2010 da ANVISA, que dispõe sobre o regulamento técnico para o funcionamento dos laboratórios de processamento de células progenitoras hematopoéticas (CPH) provenientes de medula óssea e sangue periférico e bancos de sangue de cordão umbilical e placentário. O prazo entre o término da coleta e o início do processamento não deve exceder 48 (quarenta e oito) horas.

Como tenho certeza que as células são realmente CTH?

Todas as unidades de CTH armazenadas no CCB são certificadas através de citometria de fluxo por um laboratório terceirizado que determina a identidade destas células e garante a qualidade do material. As unidades de CTH são também certificadas quanto a ausência de agentes contaminantes, como vírus, fungos e bactérias.

Como são armazenadas as CTH?

O CCB armazena as CTH utilizando a técnica de Criogenia. O material utilizado pelo CCB é nitrogênio líquido, que mantém uma temperatura constante de -196º C. A esta temperatura as CTH são mantidas em perfeitas condições por tempo indeterminado. Este método de congelamento e armazenamento utilizado pelo CCB é o mesmo utilizado pelos melhores bancos de sangue do mundo, onde os contêineres são abastecidos de forma automática com nitrogênio líquido, diferentemente da utilização do vapor de nitrogênio que pode provocar uma grande variação na temperatura e levar a uma perda de qualidade das células.

O que é criogenia?

Ciência que mantém células e tecidos vivos através do frio, de maneira que, ao ser reconstituído, se recupere com alto grau de viabilidade e integridade funcional, sem induzir toxicidades ao organismo receptor.

Quanto tempo as CTH podem ficar armazenadas?

Teoricamente, NÃO há limite de tempo para que as células fiquem armazenadas em nitrogênio líquido. O banco de sangue mais antigo no mundo que usa esta técnica é o New York Blood Center, fundado em 1993, e as células se mantêm perfeitamente viáveis até hoje.

Como as CTH funcionam no organismo doente?

As CTH quando utilizadas na terapia substituem a hematopoiese (produção de células do sangue) que está deficitária, como no caso de uma leucemia, linfoma e anemia maligna. Primeiramente, há a necessidade de destruição por completo da hematopoiese do paciente, por meio de altas doses de quimioterapia e/ou radioterapia. O condicionamento faz com que o sistema imunológico do paciente fique sem capacidade de reconhecer e destruir o enxerto, no caso a medula do doador. Essa medula doente será substituída por CTH sadias através do transplante de células-tronco retiradas da medula ou do sangue periférico ou do sangue de cordão umbilical de um doador compatível. Após o transplante, as CTH saudáveis migram para os locais de produção da hematopoiese (nichos) na medula dos grandes ossos do organismo, como fêmur e bacia e passam a produzir corretamente todos os componentes do sangue.

Como fica a questão da compatibilidade das CTH?

Para a realização de transplante autólogo (do paciente para ele mesmo) de CTH não há risco de rejeição, pois as células utilizadas são do próprio paciente. Porém para transplante alogênico (de outra pessoa para o paciente), é necessário que haja compatibilidade entre doador e receptor. Tal compatibilidade é verificada em exames de histocompatibilidade (HLA) a partir de amostras de sangue periférico do doador e do receptor. A probabilidade de um indivíduo encontrar um doador ideal entre parentes é de 35%. Devido à grande mistura de raças no Brasil, a probabilidade de encontrar um doador compatível em bancos de medula óssea nacionais gira em torno de 0,1%, e essa chance é ainda menor se a busca por um doador for feita em bancos internacionais.

Desde quando as CTH vem sendo utilizadas em terapia celular?

Os transplantes de CTH, popularmente conhecidos como transplante de medula, são realizados desde a década de 1950 para o tratamento de diferentes doenças que afetam o sistema hematopoiético e já salvaram milhares de vidas. A partir do final da década de 1980, o sangue do cordão umbilical tornou-se uma fonte alternativa de CTH para a realização de transplantes e também já salvaram milhares de vida desde então.

As CTH podem ser usadas em autotransplante em leucemias e outros tipos de câncer?

Para pacientes que não possuem um doador compatível, o autotransplante de CTH constitui uma alternativa terapêutica. Para se realizar um transplante de CTH alguns fatores são levados em consideração, como por exemplo: a doença entrou em remissão (a fase da doença em que não há sinais de atividade dela) com quimioterapia e/ou radioterapia, a origem da doença é genética ou tem pré-disposição genética. Para algumas doenças, somente o transplante de CTH pode levar a cura. Para outras doenças, o transplante não seria a primeira opção, ficando reservado para situações nas quais outras terapias não obtiveram sucesso ou nas quais a doença é muito agressiva, são os casos nos quais o transplante autólogo seria a segunda linha terapêutica. Esta estratégia pode ser oferecida para um grande número de pacientes que entram em remissão. Apesar da preocupação com a reinfusão de células neoplásicas, estudos mais recentes utilizando a marcação genética de células do enxerto, entretanto, demonstram a importância de células residuais (que não foram eliminadas pela quimioterapia e/ou radioterapia) como fonte de recidivas (volta da doença). As recidivas em autotransplante ocorrem mais frequentemente nos primeiros 18 meses pós-transplante. Porém, aumenta seu tempo e a qualidade de vida do paciente.

No caso de uma doença genética ou de pré-disposição genética, é possível utilizar as CTH para terapia celular?

As doenças genéticas e as de pré-disposição genética são impedimentos à utilização segura das CTH em transplantes. Porém, muitas dessas doenças só se manifestam ou são diagnosticadas com o avançar da idade, ou seja, não são detectadas durante o pré-natal. Desta forma, a coleta não se torna prejudicada, mas sim a sua futura utilização terapêutica.

Banco Público x Banco Privado

O atual cenário da saúde aponta a falta de disponibilidade de doadores como fator limitante ao transplante de CTH. O setor de armazenamento privado de células-tronco já existe há mais de duas décadas em todo o mundo. As mais de 3.500.000 de amostras de unidades de CTH de sangue de cordão umbilical armazenadas em bancos privados já viabilizaram 362 transplantes (sites oficiais das empresas). Além disso, apesar dos mais de 13 milhões de doadores nos registros internacionais, a chance de não se encontrar um compatível é de cerca de 40% dos pacientes com indicação de transplante (Mullally et al. 2007). O sangue de cordão umbilical é uma fonte alternativa e eficaz de CTH e têm sido usado com frequência crescente tanto para crianças como para adultos com doenças hematológicas e que não possuem doadores aparentados ou não aparentados compatíveis. Além das doenças hematopoiéticas, este material contém CTM, que poderão tratar muitas outras doenças, não só do doador como de seus parentes. 

A realidade brasileira do banco público ainda está a quem dos bancos internacionais. Se tomarmos a realidade dos bancos públicos da maior metrópole do país (São Paulo-SP) deparamos com a seguinte condição: os dois bancos públicos se encontram nos dois principais Hospitais particulares da cidade (Albert Einstein e Sírio-Libanês). Além disso, por exemplo, no Albert Einstein para a doação, a gestante tem que ter o parto na maternidade desse hospital, seguindo critérios rígidos de seleção de doadores e em horário das 7 às 20 horas de segunda a sábado. O Hospital Sírio-Libanês, não possui maternidade e faz suas coletas no Amparo Maternal, limitando assim as doações a estas maternidades. Ainda, quem doa não tem prioridade no tratamento. Existem no mundo, 225 bancos privados de criopreservação de células-tronco do sangue do cordão umbilical e no Brasil são 19 (Manegold et al., 2010). Uma crescente em todo o mundo é a surgimento de bancos híbridos, isto é, os bancos públicos estão aceitando coletas privadas, pois os altos custos de manutenção dos bancos públicos estão levando a esta nova realidade, além de que o capital gerado pelos bancos privados permite investir em novas tecnologias e novos tratamentos. Alguns bancos privados, como o CCB, possuem ainda tecnologia de obtenção de CTM do tecido do cordão umbilical, da polpa dentária, da medula óssea e da gordura, possibilitando tratamentos futuros para diversas doenças degenerativas (tratamentos ainda não autorizados) e melhorando qualidade de vida desses pacientes. Porém, é mais importante saber não onde armazenar (público ou privado), mas o que nos vamos armazenar. Atualmente é inquestionável que a terapia celular, que inclui diversas fontes e tipos de células-tronco, é uma realidade. Novos tratamentos e tecnologias estão surgindo. Múltiplos estudos clínicos estão em andamento e novos tratamentos estão sendo oferecidos (mais informações no site www.clinicaltrials.gov). Ainda, os 291 ensaios clínicos atualmente em curso em todo o mundo que estudam novas aplicações terapêuticas com estas células, ajudam também a explicar porque tantas famílias instruídas tomam esta decisão todos os dias.

Vale a pena contratar?

Segundo dados da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mais de 95.000 pais armazenaram as células-tronco do sangue do cordão umbilical de seus filhos até 2014 em bancos privados no Brasil e mais de 2.800.000 em todo mundo. Estes pais tem como objetivo, guardar um material rico em células-tronco, com grande potencial proliferativo e regenerativo, que poderá ser utilizado no futuro, para o tratamento de doenças malignas, genéticas, metabólicas e imunológicas, proporcionando uma melhora na qualidade de vida e na longevidade dos pacientes. Desta forma, torna-se imprescindível a armazenagem deste material precioso, seja por doação a bancos públicos ou, se tiver condições financeiras, armazenar em bancos privados. A maioria dos bancos privados (incluindo o CCB) disponibiliza aos clientes que tem indicação de terapia celular familiar e sem condições financeiras, coleta filantrópica sem custos, além de todo suporte técnico e social. Existe também, a rede BRASILCORD, que disponibiliza Bancos Públicos que fazem a coleta sem custos, porém sem a possibilidade de reserva própria. Esta rede conta com 12 unidades espalhadas pelo Brasil.

Central de Atendimento:
Telefone: (11) 3057-0510 | DDG: 0800.770.1112 | E-mail: ccb@ccb.med.br
Av. Brasil, 332 - Jd. América | São Paulo/SP - CEP 01430-000