Aproximadamente 17 pessoas morrem por dia nos Estados Unidos à espera de um transplante, o que equivale a cerca de 6.200 mortes por ano. Para os mais de 10 mil pacientes na fila por um fígado, o futuro pode não estar em uma lista de doadores, mas em um "fantasma".
O termo “órgão fantasma” se refere a um processo de bioengenharia no qual todas as células nativas de um órgão são removidas, restando apenas a matriz extracelular (MEC), um "esqueleto" proteico puro e translúcido que serve como base natural. Esse esqueleto é "recelularizado" com células do próprio paciente, de doadores saudáveis ou com células-tronco do receptor, em uma estratégia que, teoricamente, permite recriar qualquer órgão ou tecido humano.
Por anos, a ideia de produzir um órgão sob demanda à prova de rejeição por meio da descelularização/recelularização parecia ficção científica. Mas avanços recentes aproximaram esse conceito da prática clínica.
Em junho de 2024, a empresa americana Miromatrix Medical, subsidiária da United Therapeutics, anunciou resultados positivos no primeiro ensaio clínico com o seu modelo de órgão fabricado: o miroliverELAP. Trata-se de um dispositivo externo de assistência hepática composto por um fígado suíno descelularizado e posteriormente recelularizado com células de fígado humano doado, criando um órgão feito por bioengenharia que funciona fora do corpo para oferecer suporte temporário.
Esse sistema hepático é o primeiro do tipo a ser testado em ensaios clínicos com humanos, sendo conectado ao organismo do paciente por circulação extracorpórea para reproduzir funções essenciais de um fígado saudável.
O procedimento bem-sucedido foi realizado no Intermountain Medical Center, nos EUA, e liderado pelo Dr. Christopher J. Danford, hepatologista especializado em transplantes vinculado à Intermountain Health. O paciente que recebeu o fígado não podia ser submetido ao transplante e estava apresentando sinais de insuficiência hepática.
A produção de órgãos através da terapia celular, já é realidade.