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Injeção de células-tronco hematopoiéticas como tratamento de doenças cardíacas

A cardiopatia chagásica crônica é ainda uma das maiores causas de óbito por insuficiência cardíaca na América Latina. Uma nova estratégia pensada por um grupo de pesquisadores surgiu para reparar ou diminuir os danos causados ao miocárdio de pacientes com esse tipo de doença. Trata-se de injeção de células-tronco hematopoiéticas em que as células do próprio indivíduo a ser tratado podem gerar melhor qualidade de vida.

O coordenador do Laboratório de Histocompatibilidade  e  Criopreservação  da UERJ (HLA-UERJ) que está localizado na PPC,  Luís  Cristóvão Pôrto defende que a estratégia é uma boa solução para pacientes. Pois as células-tronco contribuem para uma melhoria indireta da contratilidade do músculo cardíaco, ou seja, a contração das fibras musculares que permite o bombeamento do sangue para aorta para a circulação do sangue pelo corpo e para artéria pulmonar a partir do ventrículo direito.

“Nós dependemos dessa contratilidade. Até algum tempo atrás se acreditava que as células do coração não eram capazes de renovação. Então toda vez que a gente perdia essas células, fosse por uma degeneração ou por uma doença tipo enfarte, uma célula morria e o indivíduo ficava com um número menor de células, logo o coração ia ficando debilitado.”

Segundo Cristóvão, em alguns casos da cardiopatia chagásica no estado progressivo, o único remédio é substituir o coração, pois o parasito Trypanosoma Cruzi se instala dentro da célula e a destrói aos poucos. O coração fica cada vez maior e não consegue mais bombear o sangue.

A ideia de injetar células-tronco hematopoiéticas surgiu da hipótese de que elas poderiam gerar outras células do organismo de um indivíduo adulto, porém os benefícios surgiram indiretamente. O autotransplante com células-tronco fez parte de um projeto, inicialmente, na UFRJ com profissionais  do Hospital Procardíaco. Eles conseguiram fazer um acompanhamento durante 1 ano, de um grupo pequeno de pacientes. “Esse indivíduo sabia que ia precisar de um transplante de coração. Porém nem sempre existe disponibilidade imediata de coração que se encaixe para aquela pessoa”, afirma Cristóvão.

Com  o  tratamento,  esses  pacientes obtiveram uma melhora significativa em relação àqueles que não receberam essas células. O próprio Ministério da Saúde possui um programa nacional que infunde células-tronco e com isso as pessoas começam a ter benefícios. “Se elas não conseguiam levantar da cama, com a injeção elas conseguiram ir até o final do corredor. Assim, ao invés de terem uma pessoa ao lado delas o tempo inteiro para fazer as coisas, elas já conseguem ficar sozinhas fazendo afazeres leves. Então, em termos de custo e de assistência, a vida dessas pessoas melhorou significativamente”, afirma o coordenador.

A infusão de células-tronco hematopoéticas para tratamento de doenças cardíacas  representa  uma  finalidade  descrita, mais recentemente, para estas células que têm sido utilizadas, tradicionalmente, para o tratamento de doenças sanguíneas como leucemias e aplasia de medula. O HLA-UERJ é um dos 4 laboratórios no Rio de Janeiro onde exames de compatibilidade são realizados através de equipamentos modernos a fim de atender a todos os pacientes que precisam buscar um doador. 

Para ser doador é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. O candidato a doador deve procurar o hemocentro mais próximo de sua casa, onde será agendada uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e, em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador).

Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de células-tronco hematopoiéticas é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.

O REDOME fica localizado na Rua do Resende, 195, térreo Centro/RJ. Mais informações pelo telefone: (21) 3207-5299 / 3207-5214 ou pelo e-mail: redome@inca. gov.br. Mais informações sobre o HLA: (21) 2334-2425/ 2334-2421

Comentário CCB:

As células-tronco hematopoéticas, podem ser encontradas em grande número, no sangue do cordão umbilical.



Fonte: POLICLÍNICA PIQUET CARNEIRO

Publicado em: 8 de agosto de 2013 às 14:08.
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