O Hospital Amaral Carvalho de Jaú (SP) atingiu o primeiro lugar no país em transplante de medula. Uma meta difícil de alcançar, que significa muito para os doentes em tratamento. Achar um doador compatível é comparado como ganhar na loteria.
Em 2013, o hospital fez 194 procedimentos. E em 83 transplantes, a medula ou as células-tronco, foram retiradas dos próprios pacientes. Já em 111 procedimentos, os pacientes de câncer só sobreviveram porque encontraram um doador. Os números representam 16% de todos os transplantes feitos no país.
Sara Barroso da Silva é mãe de Pedro, de 9 anos. Ele ganhou a vida depois de acertar na 'loteria'. "Você achar um doador, que seja compatível com você, é o mesmo que ganhar na loteria. E aí nós começamos a procurar e a desejar a ganhar na loteria. Mas não em valores, mas sim, ganhar na loteria da vida, que é o mais importante hoje. E nós conseguimos esse doador e sentimos premiados na loteria. Por Deus e por esse ato de solidariedade que essa pessoa se doou, se deu para nós, para o meu filho", contou Sara.

Por enquanto, Pedro “sorri com os olhos”. Em breve, o sorriso deve estampar o rosto. Ele descobriu que a medula não estava produzindo as células importantes para o organismo. Há seis meses, saiu de Roraima com a mãe para receber um transplante de medula em Jaú. "Foi alegre. Fiquei muito alegre porque eu sabia que a solidariedade iria me dar uma nova vida", disse Pedro.
O bom resultado não está na tecnologia, mas sim, no acolhimento dos pacientes e em um acompanhamento especializado que dá segurança e esperança. Além de médicos, enfermeiros e funcionários, o hospital Amaral carvalho conta com ajuda de cinco mil voluntários.
“Para a maioria dos pacientes, infelizmente, a opção do transplante é a única alternativa curativa. Os resultados acabam sendo extremamente benéficos para nossa emoção, para a alegria da equipe e para o humor de toda equipe. É importante que tenhamos bons resultados. A briga pela vida destes pacientes é bom exemplo de como a gente deve ser no dia-a-dia, enfrentando os problemas dignamente, encarando de frente, indo em busca de solução", informou o hematologista, Mair Pedro de Souza.
Foi encarando o problema de frente que Adriana Tomé Maioralli se curou da leucemia. Ela também passou por transplante de medula óssea no hospital. A adaptação foi difícil, mas o dia a dia se encarregou de devolver a esperança. "Você só quer melhorar, sarar, sair do hospital, ver gente. Porque eu sonhava em ver avenida, carro, de tanto que eu fiquei isolada. Então, você quer sarar e não importa se seu cabelo vai crescer, como vai crescer. O objetivo seu é esse", enfatizou a vendedora.
Ângelo José Gonçalves da Silva já ajudou um paciente a alcançar esse objetivo. "Se puder, eu ajudo outra vez. Se pedirem, eu doou sem problema nenhum. Aí eu tenho mais prazer".
O “prêmio da vida” tem mais uma ganhadora. Eloíza Cristina Moreira Correa foi chamada para doar a medula pela segunda vez. "É mais que um presente. É mais que um sonho realizado em poder estar ajudando em vida alguém tão importante, que está precisando tanto de ajuda. Porque é muito triste você saber que está com uma doença e que tem a cura e, que as pessoas, infelizmente, ainda não têm essa informação de que pode ajudar. Então, você fazendo seu cadastro de doador de medula óssea, você pode estar ajudando milhares de pessoas".
A doação de medula é segura e não causa dor. Quem doa tem direito a sete dias de licença do trabalho para a recuperação.
O primeiro transplante de células-tronco retiradas da medula foi feito pela equipe do Dr. Donald Thomaz, dos EEUU – prêmio Nobel, em 1990 – e o primeiro transplante de células-tronco retiradas do sangue do cordão umbilical, foi feito pela equipe da Dra Eliana Glukman, em 1988, na França.
Fonte: G1 Bauru