Pesquisadores do Instituto Max Planck (Alemanha) cultivaram pela primeira vez em laboratório um modelo das trompas de Falópio humanas.

Esses sistemas-modelo podem ajudar a investigar como as células, os tecidos e os órgãos inteiros funcionam. Para que os resultados sejam confiáveis, os modelos de laboratório devem ser tão semelhantes aos seus equivalentes naturais quanto possível.
As trompas de Falópio - também chamadas de tubas uterinas ou ovidutos - são parte do sistema reprodutor feminino. Medindo de 10 a 15 cm de comprimento, esses tubos ligam os ovários ao útero e facilitam o transporte do ovo fertilizado até o útero. Elas são, portanto, essenciais para uma reprodução bem-sucedida.
Agora a equipe pretende estudar as infecções que ocorrem no órgão, bem como o desenvolvimento de progenitores dos cânceres que podem atingir as trompas de Falópio.
"As trompas de Falópio podem ser cronicamente infectadas por bactérias," explica o professor Thomas Meyer, responsável pela criação do modelo de laboratório, destacando que essas infecções podem levar ao bloqueio das trompas e, em casos graves, à infertilidade.
Órgão artificial - Partindo de células-tronco, a equipe fez com que elas se desenvolvessem até formar a camada mais interna das trompas de Falópio, incluindo uma membrana equivalente ao epitélio mucoso, com suas pregas e projeções.
As células-tronco transformaram-se não apenas nos tipos de células que ocorrem na camada da mucosa, mas também desenvolveram características do órgão como um todo, por exemplo, a sua arquitetura característica.
Usando seu modelo de laboratório, os pesquisadores descobriram duas vias de sinalização que são essenciais para o crescimento contínuo do órgão, vias estas até agora desconhecidas.
Eles também concluíram que a mucosa das trompas de Falópio possuem suas próprias células-tronco, o que resulta em sua renovação contínua.
A criação de órgãos através das células-tronco é o novo objetivo dos cientistas, juntamente com as bioimpressoras em 3D.