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Equipe de rádio-oncologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro esclarece dúvidas sobre câncer

Estamos no mês de outubro e com ele a campanha nacional Outubro Rosa. O movimento nasceu na década de 1990, nos Estados Unidos. Em 2000 a Afecc-Hospital Santa Rita de Cássia trouxe o Outubro Rosa para o Espírito Santo e, desde então, é a coordenadora oficial no Estado. O objetivo principal é alertar a sociedade contra o câncer de mama. A reportagem do Grupo Folha do Caparaó entrevistou a equipe de radio-oncologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, o primeiro no interior do Estado a oferecer tratamento de radioterapia. Os médicos Paulo César Canary e Bruno da Costa Resende esclarecem o que é câncer, qual a diferença entre tumor benigno e maligno, e ainda contam como funciona o tratamento de radioterapia.

O que é câncer

Segundo o radio-oncologista Paulo César, câncer é um desajuste da reprodução celular. “Quando estas células começam a se reproduzir de forma desordenada, elas param de responder as regras do organismo, são células fora da lei. Com isso, o DNA delas se reproduz muito rapidamente”, explicou. Bruno da Costa completa de forma simples, que a célula de câncer não sabe a hora de morrer. “O tumor replica sem parar, sai de um lugar, vai para outro e continua se reproduzindo. Ele faz como se estivesse brotando, é a famosa ‘raiz’ que os pacientes falam”, comentou.

Paulo César destaca que existe uma semelhança entre as células tronco e do câncer.  O médico explica que assim como a do câncer, as células tronco são capazes de se reproduzir muito rapidamente. A diferença é que ela é uma célula controlada, enquato a célula de câncer é uma célula renegada. “Hoje em dia se fala muito em células tronco. Ela é o primo bom da célula cancerígena, porque pode ser usada para produzir outros tecidos, por fazer a mesma coisa que outra célula faz, tendo a capacidade de se ligar em outros lugares. A diferença é que ela se liga de forma construtiva, enquanto o câncer não. Ele age como se fosse um parasita, vai crescendo e acaba causando algum problema para o paciente.

Diferença entre tumor benigno e maligno

“O câncer é maligno”, enfatiza Bruno. Ele completa dizendo que a diferença básica de um tumor maligno para o benigno é que o câncer cresce desordenadamente e tem a capacidade de sair de um lugar e se reproduzir em outro. O benigno por sua vez, fica localizado em um único lugar.

Pra falar de tumor, Paulo César explicou que é preciso entender que existe o tumor sensu lato (do latim genérico) e sensu estricto (do latim focado). Tumor sensu latu é qualquer aumento de tamanho. “Uma pessoa vai jogar futebol, bate com a cabeça e cria um ovo, ela fez um tumor”, exemplificou. Já o tumor em sensu estritu é sempre que existir um crescimento celular, não só apenas por edema, ou por aumento de tamanho. Esse tumor sensu estritu pode ser de dois tipos, o benigno e o maligno. O que diferencia um do outro é o tipo de célula que está dentro dele. “O benigno geralmente tem um comportamento localizado. Ele se reproduz em um determinado local, mas as células não são tão ‘bandidas’, elas se multiplicam, mas ficam no mesmo lugar”, comentou o médico. O organismo pra se defender geralmente cria uma cápsula envolta ao tumor, as células ficam naquela prisão e não tentam fugir. A retirada desse tumor normalmente cura o paciente.

O tumor maligno não só se reproduz como também não mantêm um limite. Neste caso ele não tem uma capsula ao seu redor, tendo a capacidade de sair de um determinado local e migrando para outros órgãos e tecidos, ou seja, se reproduz em outros lugares.

Basicamente, a diferença de tumor benigno e tumor maligno é o tipo de célula que está por dentro. Existe também o comportamento benigno e o maligno. O exemplo usado pelos radio-oncologistas foi o tumor de pele, maligno, chamado carcinoma basocelular , muito frequente no Brasil inteiro, causado devido à exposição ao sol. Em seu interior são células malignas, mas não se sabe exatamente porque, elas não se transportam para outro lugar. Neste caso, se for retirado esse tumor, o paciente geralmente é curado.

Por outro lado, existem tumores em que as células não têm o comportamento histologicamente maligno, mas ela está localizada em um local muito delicado. Por exemplo, se o paciente tiver um tumor benigno desenvolvendo dentro do cérebro ele morre. É um tumor que não cresce muito, e na maioria das vezes é lento, mas ele comprime estruturas e é capaz de matar. Isso porque no crânio não tem muito espaço, então o tumor não terá pra onde crescer. Por isso, quando se fala em tumor maligno e benigno existem várias maneiras de enxergar.

Como funciona o tratamento de radioterapia

Quando o DNA das células se reproduz muito rapidamente, se torna mais fácil manipulá-lo por radiação, porque ela tem a capacidade de destruir um DNA que se reproduz em passo acelerado. “Em termos leigos, as células que se reproduzem muito são mais sensíveis à radiação”, explicou Paulo César. O médico disse ainda, que a radiação é um fenômeno físico que não é possível enxergar, assim como a luz. “A luz do sol é uma radiação. A diferença é que ela não é capaz de ionizar. E são estes íons que quebram os DNAs doentes e destroem a célula”, exemplificou.

A radioterapia age como se fosse uma castração das células tumorais, este é o principal mecanismo de morte do DNA ruim. A vida da célula é muito curta, ela morre em questão de horas ou dias, então uma vez castrada, esta reprodução vai diminuindo, porque elas vão morrendo através desse período de envelhecimento. “Algumas morrem logo de cara com a radioterapia, mas o principal mecanismo de morte é a castração destas células”, comentou Bruno. O médico mencionou ainda que é por isso que ela age mais na célula tumoral do que na célula sadia, porque ela se divide muito mais.

Comentário CCB:

Os segredos do câncer estão  começando a ser entendidos e com isso tratamentos mais eficazes e menos invasivos estão aparecendo.

Fonte: www.aquinoticias.com

Publicado em: 7 de outubro de 2016 às 01:10.
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