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Pesquisa manipula células-tronco para tratar endometriose

A doença ginecológica – ainda sem cura – atinge entre 10% e 15% das mulheres em idade fértil (12 a 45 anos) no país, de acordo com a Associação Brasileira de Endometriose. Atualmente, o tratamento envolve medicamentos, terapia hormonal, cirurgia e até mesmo a retirada do útero. Mas uma descoberta que vem dos EUA promete levar esperança a essas mulheres.

Cientistas da Universidade Northwestern, em Illinois, usaram a bioengenharia para criar um útero danificado e reprogramaram suas células-tronco defeituosas para se tornarem saudáveis. O estudo, publicado na revista “Stem Cell Reports”, abre caminhos para a substituição das células endometriais não saudáveis por outras normais, derivadas da pele ou do sangue da própria mulher.

“As mulheres começam a sofrer da doença em uma idade muito precoce, o que destrói totalmente o seu potencial acadêmico e de vida social”, afirmou a pesquisadora sênior Serdar Bulun ao site da Universidade Northwestern.

“A minha menstruação durava dez dias, mas eu tinha cólicas o mês inteiro. As dores eram tão extenuantes que eu ficava de cama por até uma semana, sem conseguir fazer nada. As relações sexuais também doíam. Literalmente, eu vivia para sentir dor.” O relato é da assessora de imprensa Viviane Lacerda, 36, diagnosticada com endometriose há oito anos.

Dados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 25% das mulheres não manifestam sintomas.

A doença. De acordo com o ginecologista Sérgio Podgaec, diretor da Comissão de Endometriose da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a endometriose ocorre quando as células endometriais no útero da mulher não respondem a uma quantidade adequada de um hormônio de implantação chamado progesterona. “As células anormais viajam através das tubas uterinas e depois para os tecidos abdominais inferiores e os ovários. O crescimento fora do útero resulta em dor pélvica grave, infertilidade e desenvolvimento de aderências e aumenta o risco de câncer de ovário”, explica.

Nesse caso, o método de substituição de células do experimento norte-americano eliminaria a dor no longo prazo. Além disso, o endométrio normal, recém-formado, seria mais receptivo a um embrião implantado. Agora, a expectativa dos cientistas é conseguir, no futuro, transplantar um útero completo com a técnica. “A aposta é alta, mas vamos conseguir”, afirmou a pesquisadora Serdar Bulun.

Diagnóstico precoce é sempre fundamental

O maior desafio para o tratamento da endometriose sempre foi a ausência da cura. Então, para garantir qualidade de vida às mulheres, o diagnóstico precoce se torna um grande aliado. “Hoje, contamos com exames não invasivos, como ultrassom e ressonância magnética. A rapidez em se descobrir a doença permite que os sintomas não se agravem, oferecendo, assim, uma vida normal à paciente”, explica o ginecologista Marco Melo, direto da clínica Vilara.

A demora no diagnóstico custou caro à assessora de imprensa Viviane Lacerda. Além das dores, ela precisou retirar o ovário direito depois que um cisto hemorrágico provocado pela endometriose ficou do tamanho de uma laranja. “Foi o pior período da minha vida. Hoje, a doença está controlada, mas o preço foi alto”, diz.

Comentário CCB:

Recuperação de órgãos lesados é uma das características da terapia celular.

Fonte: otempo.com.br | Thuany Motta

Publicado em: 13 de dezembro de 2018 às 23:12.

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