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Como a neurociência vai impactar o futuro da saúde?

O cérebro humano talvez seja o sistema mais complexo do universo, pois pode orquestrar comportamentos sofisticados e pensamentos, como linguagem, uso de ferramentas, pensamento simbólico, consciência e aprendizado cultural. De intrincadas redes no cérebro surgem extraordinárias obras de arte tecnológicas e artísticas, mas a sofisticação tem preço elevado.

Alterações sutis no desenvolvimento precoce podem levar a distúrbios neurológicos, como o autismo e/ou esquizofrenia. Para encontrar pistas sobre essas alterações, eu e minha equipe de pesquisadores estamos trabalhando com a abordagem BMT (Brain Model Technology), ou seja, o que temos hoje é a tecnologia necessária para reproduzir modelo de cérebro humano em placa de laboratório, gerando, assim, modelos experimentais capazes de traduzir de maneira muito mais fiel a realidade desses indivíduos.

Utilizando esses ‘minicérebros’, temos mostrado que os neurônios derivados de indivíduos com autismo são diferentes daqueles derivados de pessoas neurotípicas. Com o mesmo modelo, também pudemos testar como fatores ambientais, como o zika vírus, por exemplo, podem causar microcefalia e outros defeitos congênitos.

Em nossa plataforma, os minicérebros são produzidos em laboratório a partir de células-tronco de pacientes, sendo capazes de recriar com muito mais fidelidade as etapas do desenvolvimento neural. Esta tecnologia é um dos mais fantásticos avanços na área da medicina e é vista atualmente como grande oportunidade de desvendar possíveis tratamentos para doenças neurológicas consideradas hoje incuráveis.

Isso porque, a partir de estudos através dos minicérebros, é possível capturar o material genético de cada indivíduo a fim de investigar como suas mutações levam a quadro clínico específico e buscar, com isso, novas abordagens para reverter o processo com tratamentos farmacológicos, com potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Desta forma, as pesquisas realizadas com os minicérebros trarão avanço revolucionário para a medicina nos próximos anos. A grande vantagem desse processo é que começamos a abrir possibilidade viável para o teste de fármacos, sem utilizar o próprio paciente e, mesmo assim, conseguindo definir tratamento mais adequado para cada indivíduo. Assim, em futuro próximo, médicos poderão testar vários medicamentos, bem como suas doses, no minicérebro de pessoa antes de prescrever receita, gerando forma de medicina personalizada para cada paciente.

Alysson R. Muotri é biólogo molecular, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia e chefe científico da startup de biotecnologia Tismoo.

Comentário CCB:

O Dr. Alysson é brasileiro e suas experiências tem repercussão mundial.

Fonte: www.dgabc.com.br

Publicado em: 12 de abril de 2019 às 00:04.

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