

Em abril de 2017, 25 crianças portadoras de Autismo participaram em um estudo na Universidade de Duke, na Carolina do Norte. O estudo – o primeiro deste tipo – objetivou tratar o autismo das crianças pela transfusão sanguínea do próprio cordão umbilical de cada um. Esse sangue continha células-tronco e, após a transfusão, dois terços dos participantes demonstraram melhorarias nos seus sintomas. Na hora, céticos – e até mesmo os pesquisadores que criaram o estudo – foram hesitantes em anunciar os achados como um potencial terapêutico para a desordem. De qualquer maneira, foi certamente um avanço médico necessário, já que os Centro de Controle e Prevenção de Doenças estima que 1 em cada 68 crianças sofrem da desordem do espectro autista. Mais cedo no mês, o Marcus Center for Cellular Cures foi estabelecido em Duke, onde a pesquisa deu início. O novo Marcus Center é focado em ensaios clínicos para desenvolver e avaliar terapias celulares e teciduais, aprendendo a aproveitar o próprio

Nós já sabemos que a possibilidade de usar células-tronco para fazer mini-órgãos traz várias vantagens, podendo aumentar a eficiência das pesquisas para a descoberta de novos fármacos e diminuir a necessidade de testes em animais. Além dos órgãos de interesse para ação do medicamento em questão, três órgãos são fundamentais para estudar os efeitos de um medicamento no organismo: intestino (para estudar a absorção), fígado (para estudar fatores relacionados ao metabolismo da substância) e rins (importante para entender a taxa de eliminação de um medicamento pelo organismo). Alguns estudos para testar medicamentos usando células-tronco são conduzidos usando células ou desenvolvendo estruturas com células em 2D, mas o uso de mini-órgãos em 3D e com complexidade estrutural que possa imitar o funcionamento dos órgãos reais é o ideal para conseguir resultados que possam, de fato, substituir alguns testes em animais e seres humanos e, também, acelerar o processo de descoberta de novos medi

A primeira pesquisa em células-tronco embrionárias humanas que se tem notícia foi publicada em 1998 pela equipe do Professor James A. Thomson, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Desde então, o assunto gerou polêmica em todo mundo, e passou-se a discutir até que ponto a ciência poderia se valer do uso de células-tronco para reconstrução de tecidos. O principal questionamento a respeito das pesquisas com células-tronco foi (e ainda é) com relação ao uso de embriões. Diversos segmentos da população são rigorosamente contrários a esse tipo pesquisas, pois acreditam que a vida humana começa já na fase embrionária. Em contrapartida, para a ciência a vida humana se inicia apenas com a formação do sistema nervoso, o que descarta a ideia de que embriões podem ser considerados seres humanos. Embora os principais opositores às pesquisas com células tronco sejam grupos religiosos, há alguns cientistas que são contra a prática e alegam que as células-tronco adultas podem ser usa

Pesquisadores brasileiros estão testando em humanos um novo tratamento que usa células-tronco para melhorar a qualidade de vida de pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC, conhecida como enfisema pulmonar). Os cientistas do Hemomed Instituto de Ensino e Pesquisa, conglomerado de saúde do setor privado, afirmam que a primeira fase de testes clínicos, realizados com quatro pessoas com enfisema pulmonar avançado, foi concluída e demonstrou segurança do método. Segundo eles, a segunda fase, envolvendo 20 pacientes, está em curso. Os resultados preliminares, apresentados em três congressos, no Brasil, na Itália e em Cingapura, sugerem que a abordagem é eficaz para melhorar a qualidade de vida dos pacientes graças à regeneração parcial das células pulmonares. Diretor científico do instituto, Eliseo Sekiya diz que os pacientes tiveram nos testes seus pulmões parcialmente regenerados com a infusão de células-tronco hematopoiéticas obtidas da medula óssea e células mesenquimais

“Descelularizado” parece neologismo para designar quem está sofrendo uma crise de abstinência por falta de acesso ao smartphone, mas o termo, na verdade, é uma das palavras-chave para quem tenta contornar a escassez de órgãos para transplante no mundo. Coração descelularizado, ou seja, após ter suas células removidas; no fim, só resta uma especie de esqueleto do órgão - Divulgação/UFES E se fosse possível descelularizar totalmente o coração de um doador —ou seja, retirar todas as células e todo o material genético original— , usar o “esqueleto” do órgão como base para células do próprio paciente que vai receber o transplante e, assim, concluir o processo tendo em mãos um coração novo em folha, pronto para ser transplantado sem riscos de rejeição? Cinquenta anos depois dos primeiros transplantes no Brasil e no mundo, vários laboratórios mundo afora têm corrido atrás desse novo objetivo. “É algo com um potencial enorme, que está se aproximando das aplicações em seres humanos”, afir