As gêmeas Letícia e Luana, nascidas em Cuiabá, Mato Grosso, têm mais uma coisa em comum do que os outros irmãos univitelinos do resto do mundo: elas receberam um transplante de células-tronco tiradas de um mesmo cordão umbilical. O compartilhamento de células de um cordão só é inédito no Brasil e, segundo os médicos responsáveis pelo tratamento, feito no hospital Albert Einstein, não há registro de caso igual no mundo. As meninas, que estão prestes a completar um ano, têm uma doença raríssima chamada linfohistiocitose hemofagocítica hereditária. O mal, que atinge ao menos 1 em 50 mil nascidos vivos (muitos casos não recebem diagnóstico), é fruto de uma alteração genética hereditária que altera uma célula chamada histiócito. Essa célula tem como função "limpar" a medula óssea, que fabrica as células do sangue. Mas, em quem sofre da doença, o histiócito tem uma atividade enlouquecida e engole células do sangue, como os glóbulos vermelhos. Isso leva à f
Ganhou destaque na mídia o autotransplante de células-tronco a que foi submetido o ator Reynaldo Gianecchini, que faz tratamento contra um tipo raro de linfoma (não Hodgkin de células T, uma espécie de "câncer no sangue"). A Sociedade Brasileira de Genética (SBG) mantém o portal Saiba Mais Sobre Biotecnologia, que ajuda a tirar dúvidas sobre células-tronco e outros temas, e explica como funciona esse tipo de transplante e o que pesquisadores já vislumbram como novas possibilidades de aplicação na Medicina. Células-tronco são células que têm a capacidade de gerar todos os outros tipos de células, de todos os tecidos (sejam da pelo, do sistema nervoso, órgãos, etc.). No caso do tratamento para linfoma, entre as sessões de quimioterapia, os médicos colhem, a partir da medula, algumas dessas células que produzem células do sangue e as separaram, com máquinas, das demais células. Em seguida, as prepararam para serem reintroduzidos na medula após outras sessões de quimioterapia (que
Pesquisadores de diversas partes do mundo realizam, cada vez mais, estudos baseados em células-tronco. Muitos deles são voltados para a técnica de combinações dessas células, como os estudos feitos por cientistas do Centro de Primatas da Universidade de Ciências da Saúde de Oregon (OHSU, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. No início de 2012, eles anunciaram o nascimento dos primeiros macacos híbridos, fruto de uma combinação de células-tronco de seis diferentes embriões. Com isso, foram feitas algumas descobertas. Experimentos envolvendo células-troncos em primatas ainda estão em fase inicial no mundo, e a equipe americana escolheu os macacos para traçar um paralelo e entender melhor como funciona esse processo em humanos. O objetivo é que, no futuro, a Medicina possa usar esse conhecimento para o desenvolvimento de órgãos e tecidos maduros e funcionais para o homem. Além disso, a OSHU cultiva células-tronco em laboratório, com o objetivo de transformá-las em cé
Acaba de nascer o primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente em laboratório de maneira a não carregar um gene doente e de ser totalmente compatível com a irmã - que sofre de talassemia major, uma doença rara do sangue e que se não for tratada corretamente pode levar à morte. Maria Clara Reginato Cunha, de apenas quatro dias, nasceu no Hospital São Luiz para salvar a vida de Maria Vitória, que tem 5 anos e convive com transfusões sanguíneas a cada três semanas e toma uma medicação diária para reduzir o ferro no organismo desde os 5 meses. Nos pacientes com talassemia major - a mais grave e a que realmente precisa de tratamento -, a medula óssea produz menos glóbulos vermelhos e, consequentemente, não consegue fabricar sangue na frequência necessária, podendo causar anemias graves. No Brasil, são pouco mais de 700 pessoas com a doença. Técnica - Selecionar embriões saudáveis para tentar salvar a vida de outro filho doente não é novidade - esse procediment
Liderado por pesquisadores da Escola de Medicina de San Diego, vinculada à Universidade da Califórnia, cientistas conseguiram, pela primeira vez, criaram neurônios do mal de Alzheimer a partir de células-tronco pluripotentes, cedidas por pacientes desta doença neurodegenerativa. "Criar neurônios purificados e funcionais de Alzheimer em um prato é algo inédito", exalta Lawrence Goldstein, diretor do Programa de Células-Tronco da universidade. "Este é o primeiro passo. Ainda não são modelos perfeitos. São provas de um conceito. Mas, agora, sabemos como produzi-las. Requerem cuidado e diligência e um alto controle de qualidade para induzir um comportamento consistente". O feito, publicado esta quarta-feira na edição online da revista "Nature", representa um novo e extremamente necessário método para estudar as consequências do mal de Alzheimer, uma demência progressiva que, apenas nos EUA, afeta 5,4 milhões de pessoas. E, mais importante, as células vivas fornecer uma ferrame