

A possibilidade de estender a vida humana até 150 anos já não pertence apenas à ficção científica. Conversas entre líderes globais e avanços em terapias celulares reacendem o debate sobre os limites do corpo humano e da sociedade. A questão central, porém, não é apenas biológica: quem terá acesso e como lidaremos com as consequências de viver tanto? Imagem: Reprodução O envelhecimento funciona como um processo de desgaste cumulativo. Cada tecido acumula falhas até perder a capacidade de recuperação. Pesquisas publicadas na Nature Communications sugerem que o teto biológico estaria entre 120 e 150 anos, quando a resiliência celular colapsa. Ainda assim, cientistas como Timothy Pyrkov defendem que intervenções na “idade biológica” das células podem empurrar esse limite para além do previsto. Avanços recentes sustentam esse otimismo. No Instituto Salk, por exemplo, ratos tiveram tecidos rejuvenescidos após terapias gênicas. Já os transplantes de órgãos, citados em debates políticos, nã

Aproximadamente 17 pessoas morrem por dia nos Estados Unidos à espera de um transplante, o que equivale a cerca de 6.200 mortes por ano. Para os mais de 10 mil pacientes na fila por um fígado, o futuro pode não estar em uma lista de doadores, mas em um "fantasma". Coração "fantasma" experimental. O termo “órgão fantasma” se refere a um processo de bioengenharia no qual todas as células nativas de um órgão são removidas, restando apenas a matriz extracelular (MEC), um "esqueleto" proteico puro e translúcido que serve como base natural. Esse esqueleto é "recelularizado" com células do próprio paciente, de doadores saudáveis ou com células-tronco do receptor, em uma estratégia que, teoricamente, permite recriar qualquer órgão ou tecido humano. Por anos, a ideia de produzir um órgão sob demanda à prova de rejeição por meio da descelularização/recelularização parecia ficção científica. Mas avanços recentes aproximaram esse conceito da prática clínica. Em junho de 2024, a empresa america

A abordagem vai além do tratamento de sintomas, focando na causa raiz das doenças e no estímulo ao processo natural de regeneração do corpo, diz especialista Segundo o IBGE, 40% da população brasileira terá 60 anos ou mais em 2070 | crédito: FreePik A população global está vivendo mais e envelhecendo rápido. Um estudo da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, constatou que a expectativa de vida ao redor do mundo aumentou quase dez anos nas últimas décadas, porém, os idosos vivem com limitações e problemas crônicos de saúde. O levantamento analisou dados de 183 países membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) e foi publicado no periódico JAMA Network Open. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta que, em 2070, 4 em cada 10 pessoas terão 60 anos ou mais. A estimativa é que os idosos representem 38% da população, saltando dos atuais 33 milhões, para mais de 75 milhões de pessoas 60+ no país. Envelhecer com saúde é uma consequência de bons hábitos, como

O mundo da estética vive uma verdadeira revolução silenciosa — elegante, precisa e profundamente transformadora. À medida que a busca por resultados mais naturais, seguros e personalizados cresce, a ciência responde com um avanço que está conquistando espaço nos melhores consultórios do mundo: os exossomos. Crédito: shmeljov. Considerados hoje uma das tecnologias mais promissoras da medicina regenerativa estética, os exossomos são protagonistas de uma nova era de tratamentos que respeitam a individualidade biológica e oferecem soluções de alto desempenho, sem exageros ou artifícios. O que são exossomos? De forma simples, os exossomos são pequenas vesículas extracelulares liberadas por células-tronco e outros tipos celulares. Eles carregam uma carga valiosa: proteínas, lipídeos, RNAs e sinais biológicos capazes de “reprogramar” o comportamento celular ao redor. Na estética, isso se traduz em estimulação de colágeno, regeneração tecidual, melhora na textura da pele, crescimento capi

Durante o XXI Simpósio Internacional da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG 2025) especialistas discutiram o papel das células-tronco na regeneração da malha trabecular Imagem: Reprodução O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e está intimamente associado à disfunção do escoamento do humor aquoso, em especial pela malha trabecular (MT). Na patogênese do glaucoma, principalmente no glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), ocorre uma perda progressiva da celularidade da MT, o que leva a um comprometimento do escoamento do humor aquoso com consequente, aumento da pressão intraocular (PIO) e dano às células ganglionares da retina (CGR). A malha trabecular é composta de três camadas: uveal, córneo-escleral e justacanalicular. Essa última camada, junto ao endotélio do canal de Schlemm é a principal região de resistência ao escoamento do humor aquoso. A perda de células trabeculares está associada a um aumento na rigidez desse tecido, a um acúmulo anormal